Dados que viram decisão no setor público

Sou Théo Albuquerque, estatístico e gestor de políticas públicas dentro do Estado desde 2010, hoje no Serviço de Limpeza Urbana do DF. Publico as análises com o código junto.

Théo Albuquerque de Paula

O que eu faço com um dado que o Estado publica

A coleta seletiva do Distrito Federal aparece em doze relatórios anuais do SLU. Lidos em sequência, eles contam uma história que não aconteceu.

Mil toneladas por ano

Coleta seletiva no Distrito Federal, em mil toneladas por ano, de 2014 a 2025

Dois trechos que não se somam. De 2014 a 2015, sob o rótulo “coleta seletiva”, os valores vão de 48.586 a 57.496 toneladas. A partir de 2017 o rótulo passa a ser “coleta seletiva das empresas”: cai a 18.311 toneladas em 2020 e sobe todos os anos desde então, até 54.549 em 2025. A tabela completa está logo abaixo do gráfico.

2017–2025 · coleta seletiva das empresas2014–2015 · coleta seletiva

Em 2017 o SLU trocou o que essa linha mede: “coleta seletiva” virou “coleta seletiva das empresas”. Nenhum dos doze relatórios explica a troca — ela se deduz do rótulo e da magnitude. Por isso os dois trechos não se ligam aqui. Quem os somar publica a manchete errada.Fonte: relatórios anuais do SLU-DF, 2014 a 2025. O ano de 2016 não aparece porque não consegui extrair o número da série.

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Ver a tabela
Coleta seletiva no Distrito Federal, em toneladas por ano
AnoToneladasRótulo
201448.586anterior
201557.496anterior
201729.968empresas
201828.549empresas
201928.522empresas
202018.311empresas
202131.866empresas
202233.761empresas
202344.681empresas
202448.853empresas
202554.549empresas

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Saem de problemas que apareceram no trabalho: um indicador que não fecha, uma série que muda de definição no meio, um processo que varia demais para ser fiscalizado.

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